Chuvas geram mais transtornos em Macaé

Por conta dos alagamentos, moradores relataram dificuldade de sair de suas casas em vários bairros

Por João da Silva 15/10/2015 - 13:22 hs

Desde o final de semana, a chuva vem gerando transtornos para a população macaense. No último domingo (13), a grande quantidade de água que caiu resultou em alagamentos em vários pontos da cidade.

Assim como ocorreu na semana passada, a Nova Holanda foi uma das áreas mais atingidas pelo mau tempo. De acordo com o presidente da Associação de Moradores, Vando Emanuel, a prefeitura foi acionada e o secretário de Governo, Léo Gomes, fez uma visita à comunidade na manhã para ver de perto o sofrimento da população.

"Tivemos que chamar uma autoridade para ver a nossa situação. Teve pontos do bairro que usamos barco para fazer a travessia dos moradores. Levamos o secretário em todas as travessas e também nas partes onde a obra foi feita e que, até hoje, aguarda ser finalizada. Destacamos, mais uma vez, a necessidade de se fazer o piscinão aqui para escoar a água. Ao ver de perto o problema, ele acionou algumas secretarias e ligou para o pessoal responsável pela obra, que teve que vir de Campos dos Goytacazes para constatar a situação e ligar as bombas, que estavam desligadas. Essa semana vamos nos reunir com o prefeito, Dr. Aluízio, o secretário de Obras e os responsáveis pela obra. Não dá mais para a gente conviver com esse tipo de situação toda vez que chove. Houve pontos em que a água batia no joelho. E o pior, mistura essa água com o esgoto, deixando a população vulnerável a doenças, como a leptospirose. Não foi pior do que na semana passada, mas alagou e a água invadiu a casa de muitos moradores. Algumas famílias correram para tirar os parentes idosos acamados. É triste. A Defesa Civil hoje não tem o aparato necessário para lidar com uma situação dessas, mas tenho até que agradecer à equipe de rua que enviou três agentes, que ajudaram muito dentro do possível", conta.

A situação também ficou crítica em outros bairros, como, por exemplo, Piracema, Novo Horizonte, Sol y Mar, Campo d'Oeste e Riviera Fluminense. 

Já na Granja dos Cavaleiros, a Rua Comerciante Sinézio Trindade Coelho também foi atingida pelo temporal. Segundo o presidente da AMOGRANJA, Dirant Ferraz, o problema ali foi ocasionado por problema no manilhamento e rede de esgoto.

"A Esane fez um serviço equivocado ali e bastou chover para alagar e o esgoto retornar para algumas casas. Na semana passada, eu acionei o órgão, que se prontificou de vir, mas até então nada. Aonde a Odebrecht Ambiental está atuando, a gente até releva os transtornos, pois é impossível fazer melhorias sem obras, mas nesse caso foi descaso dos responsáveis", enfatiza. 

A chuva também fez com que os níveis de alguns recursos hídricos subissem. Na Lagoa de Imboassica, a régua de medição marcava 90cm na manhã de ontem (14). Para o nível total dela ficar estabilizado, é necessário que atinja os 80 cm na régua de medição. Já para que a água transborde para os bairros no entorno ou para a Rodovia Amaral Peixoto, o nível deve superar a marca de 120 cm.

Para evitar os problemas de alagamentos no entorno, em agosto de 2011 foi inaugurado o Canal Extravasor, fruto de uma parceria entre governo municipal, secretaria de estado de Ambiente e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). 
Cuidados em áreas de risco 
De acordo com a previsão, o tempo em Macaé deve permanecer chuvoso nas próximas horas. Como o mau tempo deve predominar até amanhã (16), quem vive em áreas de risco deve redobrar a atenção. 

A prevenção é fundamental para evitar tragédias em caso de acidentes, principalmente em áreas ribeirinhas. Caso o nível continue a subir, o risco de que a água invada as casas é grande, colocando em perigo a segurança de várias famílias. Isso ressalta a urgência de desocupar essa região, a fim de evitar futuras tragédias.

A preservação das matas ciliares é fundamental, pois elas evitam alagamentos, uma vez que evitam o avanço das águas do rio. Além disso, trabalham na contenção de enxurradas, diminuindo a velocidade de infiltração no solo, protegem a rede de drenagem dos reservatórios subterrâneos, reduzem os assoreamentos, entre outros benefícios. 

Por conta dessa importância, o Código Florestal diz que as ocupações devem obedecer uma distância mínima do recurso hídrico. Esse número varia de acordo com a largura do curso d'água em metros.
Além das famílias ribeirinhas, quem mora em locais onde há risco de deslizamentos (encostas) também deve prestar atenção.

Alguns sinais podem indicar que o imóvel corre riscos de desabamento. Em casos de rachadura nos pisos ou paredes, estalos ou postes e árvores inclinados, recomenda-se que a pessoa saia de casa imediatamente e acione a Defesa Civil.  Em caso de emergência, a população deve ligar para o número 199.